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Imprensa destaca resultado de pesquisa da Aletria

O jornal Hoje em Dia, de domingo dia 25/2, publica levantamento feito pelo Instituto Cultural Aletria. Veja abaixo, na íntegra, matéria da repórter Lady Campos.

Ele nasceu na Europa, mas ganhou fama pelo Brasil afora, principalmente, no interior, quando aparece nas noites de lua cheia procurando sangue, matando ferozmente tudo o que se move.

Esse é o lobisomem, um ser metade homem, metade lobo, capaz de assustar homens, mulheres e crianças, e campeão de uma eleição realizada pelo Instituto Cultural Aletria, especializado na arte de contar histórias. Os votos dos internautas não deixaram dúvidas: (site www.aletria.com.br) ele é a criatura mais assustadora das histórias infantis e da cultura popular em 2007.

Na votação, mais de 100 pessoas elegeram o lobisomem, que abocanhou 22% dos votos. O segundo lugar ficou com a personagem Mula-sem-cabeça, com 21%.

A eleição foi acirrada e já havia sido liderada pelo popular Homem-do-saco, que ficou com 19% no final, e também pelo Lobo Mau, que terminou com 10%. Participaram ainda da disputa a Cuca (14%), a bruxa e o Bicho Papão, que ficaram na lanterna da pesquisa, com apenas 5% dos votos.

E você, que não votou no site, sente medo de qual criatura? O professor de Literatura, Vanderson Silva, por exemplo, confessa que quando menino não eram o Lobisomem nem a Mula-sem-cabeça que o assustavam. ‘Corria por várias ruas nos meus sonhos e quando chegava ao portão da minha casa os meus pés ficavam grudados no chão. Tentava sair, correr, rolar e até voar, se fosse possível, mas só conseguia ver o desespero aumentar ao perceber que o homem-do-saco, com sua barba grande e um saco de linhagem escuro no ombro, estava cada vez mais próximo de mim‘, conta Vanderson.

As pessoas, geralmente, trazem lembranças boas ou más de algum conto ou história ouvida ou lida na infância. Para a psicóloga Lenora Soares da Cunha Guimarães, essa capacidade de imaginar coisas, conectar-se com o oculto, com o que a gente não vê, faz parte de nossas fantasias, e estimula a mente.

Sem poder de imaginação, o homem não conseguiria desenvolver seu lado criativo. Lenora acrescenta que Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Homem do Saco e outros tantos personagens do folclore ou dos contos infantis, chamados de mitos, foram criados para que possamos compreender tudo o que diz respeito ao ser humano.

‘Todos os mitos, em todas as épocas, no mundo inteiro, instigam o homem a experimentar esse gostinho do medo, de matar a curiosidade‘, explica Lenora.

Então fique atento e não deixe o medo dominá-lo, pois se ele (medo) é muito grande, você é vencido por ele. E, caso contrário, você faz da curiosidade uma descoberta!
Nesta edição do PROGRAMINHA, você vai conhecer algumas características, hábitos e comportamentos de alguns seres horripilantes. Só não vale tremer de medo, viu?

Memória popular
Para a contadora de história Rosana Mont’Alverne, nada revela tanto de um povo como suas lendas e histórias. No caso do nosso estado, então, histórias e ‘causos‘ contados por nossos pais, avós, amigos ou desconhecidos são expressões da arte que melhor retratam o mineiro.

Contar um ‘causo‘ numa praça, botequim, fazenda ou qualquer outro lugar onde se reúna uma turma de amigos é um comportamento tipicamente mineiro. Daí a importância de preservar nossa memória popular com a contação de história, uma tradição oral e da literatura do Brasil. ‘Elas (histórias) se espalham e vão fazendo parte da tradição do local‘, completa Rosana.

Noites de lua cheia
Poucos ousam negar sua existência, outros fogem do assunto, mas basta ouvir seu uivo atemorizante para saber que se trata do lobisomem. Esse ser assustador, segundo a lenda, nada mais é que um homem comum com capacidade, ou a infelicidade, de se transformar em lobo nas noites de lua cheia, retornando à forma humana somente quando o galo canta.

Antes do amanhecer, no entanto, ele procura um cemitério, onde geralmente se dá a transformação. Ainda de acordo com a lenda, para matar o lobisomem é preciso acertar um tiro disparado por bala de prata em seu coração.

No Brasil, existem muitas versões dessa lenda, variando de acordo com a região. Mas a mais conhecida, segundo a contadora de histórias Rosana, é que a fera é o sétimo filho homem, após uma sucessão de irmãs.

Em algumas regiões, o Lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada, quando seu corpo passa a ser todo recoberto por pêlos, os dentes se transformam em enormes presas e as unhas crescem como garras. Como o nome diz, a criatura é metade lobo, metade homem. ‘É como se o DNA dele carregasse esse gene ruim, ou seja, fosse amaldiçoado‘, lembra Rosana.

A lenda da Mula-sem-cabeça
Reza a lenda que uma mulher, amaldiçoada por namorar um padre, passou a se transformar na mula-sem-cabeça nas noites de lua cheia. Após percorrer sete povoados ao longo de uma noite, mais provável de quinta para sexta-feira, a mulher escolhe uma encruzilhada, onde se transforma na figura que ataca sua vítima, chupando olhos, unhas e dentes.

A criatura é assim chamada porque, no lugar de sua cabeça, existe um enorme facho de fogo, o que não a impede de emitir ruídos estridentes e relinchos que se ouvem de longe. Segundo a lenda, esse ruído intenso seria o seu choro, lamentando a sua triste sina.

Além disso, a Mula-sem-cabeça tem cascos de ferro ou prata bastante afiados, o que significa que seu coice é violento. Segundo a contadora de história Rosana, é preciso jogar um terço em volta do pescoço da fera ou um véu de uma beata sobre a chama para conseguir se ver livre de seus ataques.

Outro truque para acabar com o encanto é arrancar um artefato de metal, uma espécie de freio de ferro que existe no lugar de sua cabeça. Uma vez feito isso, a Mula-sem-cabeça voltará a ser mulher, mostrando-se arrependida.

Saci-Pererê ganhou um dia só dele

Com o objetivo de diminuir a influência da comemoração do Halloween (Dia das Bruxas, comemorado nos Estados Unidos em 31 de outubro) e, ao mesmo tempo, valorizar o folclore nacional, foi criado no Brasil, desde 2005, o Dia do Saci comemorado, também em 31 de outubro.

O Saci-Pererê nada mais é que um duende protetor de nossas matas. Criado pelos indígenas, a princípio era um curumim perneta, de cabelos avermelhados, encantador de crianças e adultos.

Em contato com o elemento africano e a superstição dos brancos, recebeu o cognome de Taperê, estendendo-se para Pererê Sá Pereira e tornou-se negro. Depois disso, ganhou um gorro vermelho e um cachimbo na boca. Em alguns lugares, como às margens do rio São Francisco, adquiriu duas penas e a personalidade de um demônio rural que faz travessuras e gosta de enganar pessoas. É o famoso Romão ou Romãozinho.

Para o Tio Barnabé, um dos personagens criados pelo escritor Monteiro Lobato, que vive no Sítio do Picapau Amarelo, o Saci-Pererê é um diabinho de uma perna só, que anda solto pelo mundo, armando reinações de toda sorte: azeda o leite, quebra pontas das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os novelos de linha, faz o dedal das costureiras cair nos buracos, bota moscas na sopa, queima o feijão que está no fogo, gora os ovos das ninhadas.

Quando encontra um prego, ele o vira de ponta para cima para que espete o pé do primeiro que passa. Tudo que numa casa acontece de ruim é sempre arte do Saci. Não contente com isso, ele também atormenta os cachorros, atropela as galinhas e persegue os cavalos no pasto, chupando o sangue deles. O Saci não faz maldade grande, mas não há maldade pequenina que não faça.

Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
 




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