ALETRIA entrevista Rosilda Figueiredo

Publicado: 13/04/2017

Brincar é essencial!

Estimular o universo lúdico e proporcionar momentos prazerosos são fundamentais para o desenvolvimento e a socialização da criança. Por meio do “brincar”, ela experimenta e apreende o mundo à sua volta, elabora sua autonomia e organiza suas emoções.

Para falar sobre o mundo fantástico das brincadeiras, convidamos a brincante Rosilda Figueiredo. É ela quem vai conduzir a oficina Brincadeiras na sala de aula aqui na Aletria no próximo dia 17, segunda-feira.

Confere aí o nosso bate-papo!


Rosilda, no cotidiano escolar, o espaço do lúdico e das brincadeiras acaba perdendo lugar para a formalidade da sala de aula. Na sua opinião, por que isso acontece?

Acredito que isso seja reflexo de um “endurecimento” dos próprios adultos. Resultado das cobranças, da seriedade e da obrigação de cumprimento de prazos. Resultado de um sistema institucional que não conhece o poder do brincar. E, logo, isso não chega aos alunos porque a brincadeira não se ensina, ela acontece. Falta vontade e abertura para deixar o brincar fazer o trabalho dele. Um trabalho que elucida a essência de cada criança e jamais rotula.

 

Para muitos estudiosos, além de prazerosas, as brincadeiras são também instrumentos pedagógicos eficientes. Qual o lugar das brincadeiras nos processos pedagógicos formativos e nos processos criativos?

É importante ter em mente que a brincadeira tem o lugar dela. E esse lugar é o de fazer ser leve, lúdico, dinâmico e evolutivo. A brincadeira tem o papel de construir momentos descontraídos, orgânicos e prazerosos.


Conta pra gente: como a brincadeira se tornou seu objeto de estudo e trabalho?

Em 2000, quando fiz minha primeira oficina de teatro, resolvi apostar na profissão de animadora de festas infantis. Esse foi o meu primeiro contato com as brincadeiras. Mais tarde, já na faculdade, comecei a entender as brincadeiras como cultura e não como apenas entretenimento e isso mudou minha concepção de tudo. Fiz várias pesquisas na área e, o que é mais importante, brinquei. Brinquei muito. Em parques, escolas, no teatro, nas festas... Fui entendendo que a brincadeira é essência. Brincar é conhecer universos ocultos no ser humano. Comecei a experienciar a brincadeira cada vez mais e fui compreendendo o que ela é. Estudar e trabalhar com brincadeiras pertence ao campo da experiência, do fazer e do sentir. Desde então, apostei em brincar e incorporar isso em minha vida, no meu trabalho.


Afinal, existe limite de idade para brincar?

Não. Quem para de brincar está morto, rs. Mesmo sem consciência, todos os seres brincam – ainda que sozinhos. Do recém-nascido ao mais idoso! O que acontece é que as pessoas não a exercitam com frequência. Por medo ou restrição, elas acabam não se permitindo brincar como deveriam e, infelizmente, boicotam o seu próprio brincar, negam a sua essência. Por isso gosto tanto de realizar as oficinas! Quando trabalhamos repertórios práticos de brincadeiras tradicionais brasileiras, mesmo que o objetivo final sejam as crianças, nesse processo estamos também voltando a exercitar o brincar para nós mesmos. E isso é fundamental.

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