Conversa com a escritora | Caroline Carvalho | Aletria Caroline Carvalho, Inês da Fonseca, lançamento, ilustração, entrevista, aletria, livro ilustrado, literatura infantil, livro, maternidade, maternidade real, mães

Conversa com a escritora | Caroline Carvalho

Publicado: 17/12/2018

Oba! Tem entrevista nova no Blog da Aletria. Desta vez a conversa foi com Caroline Carvalho, autora de nosso último lançamento, A Mãe que voava, ilustrado por Inês da Fonseca. Será que Caroline respondeu qual o segredo da mãe voadora? Como ela faz para voar?

Caroline Carvalho. 



1) Conta pra gente, qual o segredo da Mãe que voava? Como ela faz para voar?

Toda mãe e, todo pai tem um segredo, quem de nós não se pergunta vez ou outra, como a mãe sabia disso? Como ela me viu fazer isso? Pois acredito mesmo que toda mãe sabe voar, a mãe voa e sobrevoa os filhos, a casa, o trabalho, os amigos, a família. Quando uma mãe tem asas, e toda mãe tem, só que elas ficam escondidas, ela pode voar para conseguir fazer tudo, e pode levar os filhos junto dela neste voo, e que lindo que é poder ver que a mãe é uma voadora que não deixa nunca de nos amar, ela voa para todos os lugares e resolve tudo, mas sabe pousar juntinho de nós e nos acarinhar. Agora, como ela faz para voar? Ihhhhh, tem segredo que a gente nunca conta, porque segredo contado perde a graça, deixa de ser segredo, espia a mãe voando e depois me conta se descobriu o segredo, combinado?




2) Você dedica seu livro à sua mãe voadora. Quais são suas lembranças de infância mais marcantes sobre ela e seus vôos? 

Sim, dedico este livro à minha mãe porque ela é a primeira mãe que vi voar, tenho uma mãe voadora, ela sempre voou em casa cuidando de tudo, da limpeza até a comida, ela voava na escola que ela trabalhava, voava ensinando seus alunos a ler e escrever; ela voava na igreja, aonde ela sempre se dedicou a ensinar as crianças as palavras da igreja; ela voava na nossa família, aonde ela sempre cuidou para que ficássemos todos unidos com nossos avós; ela voava depois da escola aonde trabalhava, pois para nos dar estudos e uma vida confortável ela ainda voava vendendo roupas antes de voltar para casa e descansar. Agora, o melhor era quando ela voltava de seus muitos vôos, deitava do meu ladinho e contava histórias, cantava, ela é muito boa com as palavras, então ela lia histórias dos livros e criava histórias só para mim, ela conta sempre, e eu lembro bem, que quando ela vinha contar histórias eu não deixava mais ela parar, meus olhos não queriam fechar, pois este era sempre o melhor momento do nosso dia. A melhor de todas as lembranças que tenho é da história da Porquinha Pirula, história que ela criou para mim, que tem música e tudo, eu amava e amo esta história, hoje ela conta para os netos que igualmente adoram, pensando bem essa história deveria virar livro, quem sabe não é?





3) Como foi o processo criativo do livro? Como se deu seu diálogo com a ilustradora portuguesa Inês da Fonseca?

O processo criativo deste livro está diretamente ligado à Inês da Fonseca, ilustradora deste trabalho, conheci o trabalho dela e fiquei encantada, teve um dia em que ela postou na sua conta de Instagram uma ilustração, quando olhei aquela ilustração pensei na minha mãe, e a primeira coisa que veio na minha cabeça foi: isso parece com a minha mãe, uma mãe voadora, que para conseguir fazer tudo precisaria ter asas. Pronto, foi pensar isso e a magia aconteceu, peguei meu caderno de ideias, minha caneta e comecei a rascunhar, rascunho vai, rascunho vem, depois de fazer umas três versões desta história e misturar um pouco de cada, percebi que ela estava do jeitinho que tinha de estar. Foi aí que pensei, se a Inês fez parte desta história preciso enviar a ela, decidi fazer o primeiro contato, e que sorte a que tenho, a Inês é maravilhosa, ao ler a história já me disse emocionada que gostaria de ilustrar, pensa no tamanho da minha felicidade, eu aqui como admiradora do trabalho dela, nessa distância entre Brasil e Portugal, contar com a ilustração delicada e generosa da Inês. Posso dizer? Para além do livro nos tornamos amigas, de muitas conversas via whatsapp, fizemos muitos vídeos, muitos, rimos tanto, choramos, trocamos tantas histórias boas, que agora quando vejo o livro penso: só poderia ser com ela. Este nosso livro tem gostinho de muito amor, arte e delicadeza de duas artistas que viraram amigas entre escritas, ilustrações e conversas...




4) Casa, trabalho, filhos... nós, mães, estamos cansadas! Na sua opinião, quais os principais desafios da "maternidade real"? É necessário voar? Como fazemos para ter asas?

É mais do que necessário voar, quando nos tornamos mães não imaginamos o tanto de novas funções que iremos ter de administrar, os filhos são a melhor parte da vida, mas também a parte mais maluca. Quando decidi publicar este livro pensei muito na minha mãe e em mim, e pensando em nós duas é que me dei conta que temos tantas mães neste mundo que vivem neste mesmo voo, que acredito mesmo que este livro vem para dialogar sobre estas muitas angústias que vivemos. Quando um filho nasce, nasce também muitos medos, sempre nos questionamos se estamos no caminho certo, se é disso que os filhos precisam, e vem toda uma sociedade para dentro da nossa casa nos dizer como e o que fazer, ficamos perdidos, e a nossa maior cobrança diz respeito ao trabalho e ao tempo dedicado aos filhos, eu mesma sempre me questionei: será que sou uma boa mãe? Foi nas palavras da minha mãe que encontrei consolo, ela me disse: "se você estiver feliz, seus filhos também serão felizes", nestas palavras percebi que não preciso estar 24 horas em função dos meus filhos, preciso me dedicar a ter a minha vida profissional e ter bons momentos com os dois, e tem dado certo, afinal, não fossem estas palavras da minha mãe talvez este livro não existisse. Mas, penso sempre que não existe uma fórmula, cada família sabe qual a melhor equação para o seu dia a dia, todas somos voadoras, em casa, na rua, no trabalho, com os filhos, o importante é voar com um sorriso no rosto e leveza no coração. Agora, como faz para ter asas? Fecha os olhos, respira bem fundo, lembra dos filhos, lembra do sorriso, do cheirinho e lembra de você também, lembra sempre que nossos filhos aprendem através daquilo que estão a ver de nós, e eles sabem que nos dedicamos a eles, eles aprendem muito mais com os nossos vôos do que com nossas palavras, então voa alto, leve os filhos neste voo e sussurra no ouvido deles todos os dias: eu te amo. 




5) Pai também pode voar?

Pai também voa, claro, aliás tem pai que voa mais do que mãe, fico feliz ao perceber as mudanças relacionadas a esta constituição de cuidados com os filhos. Houveram muitos anos em que a total responsabilidade dos filhos estava na figura da mãe, por anos as mães não trabalhavam e se dedicavam inteiramente ao lar, hoje temos constituições diversas de famílias, e é maravilhoso, por isso inclusive que inclui neste livro um pai que fica em casa aos cuidados da filha, quando a mãe sai para trabalhar. Um pai e uma mãe presente não diz respeito ao quanto se trabalha fora de casa, diz respeito a responsabilidade que se tem com seus filhos, existem mães que voam em casa e fora de casa, pais igualmente; existem mães que voam mais em casa do que fora, pais igualmente, existem mães que voam mais fora do que em casa, pais igualmente. Aliás, aqui na minha família temos um pai e uma mãe voadores, que dividem de igual forma os cuidados com os filhos, quando eu saio para voar fora de casa, o pai fica voando em casa, quando ele sai para voar fora de casa, eu voo por aqui, e assim vamos todos juntos neste voo, o que possibilita que tanto eu quanto meu marido possamos ter nossa profissão e vida familiar. Mas adoramos os momentos que todos voamos juntos em casa, fazemos sessão de cinema, fazemos guerra de travesseiro, dançamos músicas malucas e brincamos de monstro do banho... Quantos vôos podemos dar juntos não é? Dentro e fora de casa. E eu pergunto, quais são os seus vôos?



Compre AQUI e aproveite a promoção de Natal.
Compre um e ganhe outro igual!
Porque #LivroÉoMelhorPresente
Voltar