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Conversa com o escritor | Rodolfo Castro

Publicado: 21/09/2017

Nas últimas semanas, Rodolfo Castro, escritor e contador de histórias argentino radicado em Portugal, visitou o Brasil para lançar sua mais nova obra: "Contos da Meia-Noite do Mundo", Ed. Aletria. Nosso Blog aproveitou a presença ilustre para uma conversa rápida com o autor. Sobre o livro, Rodolfo Castro é bem direto e misterioso: "Espero que se surpreendam com os factos mais incríveis...esses são os verdadeiros o resto é tudo ficção.". 


Quem já vem acompanhando as novidades da Aletria, sabe que "Contos da Meia- Noite do Mundo" é daqueles livros indispensáveis para uma estante que se preze. Reunindo versões pouco conhecidas de contos tradicionais, com ilustrações do premiado Alexandre Camanho, a obra é imperdível tanto para jovens leitores, quanto para contadores de histórias, pesquisadores e demais interessados em contos clássicos. Quer saber mais sobre "Contos da Meia- Noite do Mundo"? Rodolfo conversou com a gente, olha só: 



BLOG DA ALETRIA: Contos da Meia-Noite do Mundo reúne variantes não conhecidas de contos tradicionais. Como se deu seu processo de pesquisa e de criação? Como foi recontar esses clássicos que já fazem parte do imaginário de muitos leitores? 

Rodolfo Castro: A pesquisa foi resultado de um processo de criação de um espetáculo de narração oral. As versões que fui encontrando abriram um imaginário que até então estava oculto para mim. Descobri versões radicalmente diferentes das que se conhecem. Isso levou-me a outras pesquisas em relação à vida, situação social e crenças da Idade Média, tempo no qual estas histórias corporizaram-se. As versões do livro resgatam elementos históricos e ao mesmo tempo ficcionais para dar forma a uma narrativa original. Estas versões não tentam ser fieis aos originais.



Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.


Como e por que você escolheu esses três contos clássicos? (Gata Borralheira, Chapeuzinho Vermelho e Bela Adormecida) 

Estas foram as histórias que mais captaram a minha atenção e das quais consegui reunir maior número de versões e comentários. As três estão focadas no universo do feminino em confronto com a violência do poder e da sociedade. O lado feminino da "História" é para mim muito mais revelador do que outros e por isso achei maravilhoso abrir essa porta.

 

No texto de introdução, você fala sobre o "tédio que sentia com as boas intenções insuportáveis dos contos escolares". Quando criança, o que mais te incomodava nessas versões? 

Embora eu gostava muitas vezes das histórias que ouvia, a forma em que estas me eram contadas e os finais sempre edulcorados e carregados de mandatos e exigências faziam com que essas narrações não conseguissem interessar-me. Na escola as histórias são só ferramentas. Mas as crianças precisamos de brinquedos, não ferramentas. 



Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.



Ainda na introdução do livro, você fala sobre a noção dicotômica de bom e mau nas versões popularizadas desses contos clássicos. Já em Contos da Meia-Noite do Mundo, a linha que divide o bem do mal é borrada, se tornando fluida e muitas vezes inexistente. Adiantando um pouco do que os leitores verão no livro, você pode dar um exemplo de como essas versões antigas e pouco conhecidas desses contos diluem a noção do bom x mau e da vingança e o poder como ideais de virtude? 

O Mundo e dentro dele os seres humanos é diverso e fascinante. Ninguém é bom ou mau completamente. São as circunstâncias as que nos fazem agir e sempre que se age algo ou alguém fica ferido. É inevitável e faz parte da consciência da existência. Detesto os estereótipos. Creio na mutabilidade e reconheço o bem e o mal como faces opostas e complementares da nossa personalidade. Este é o grande desafio. A luta que dia a dia travamos com as nossas próprias contradições. 



Contos da Meia-Noite do Mundo trata sobre vários temas tabus da literatura infanto-juvenil como sexo, violência e morte. Para você, qual a importância de não censurar essas temáticas nas obras voltadas ao público infantil e juvenil?

Se alguém ainda não reparou as crianças e os jovens são seres humanos. Sentem, amam, odeiam, maravilham-se e sonham. Para mim não existem temas tabus. Temas que não devam ser falados com as crianças. A forma de falar no assunto é o que faz a diferença. Estas histórias estão escritas pensando num leitor hábil. Não penso na sua idade penso na sua curiosidade e tento tocar as sua emoções e questionar os seus paradigmas. Mas o que mais quero é contar uma história emocionante. 


Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.


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AGORA O DESAFIO CALANGUEADO

(perguntinhas de resposta rápidas)


Para os destemidos que se aventuram por suas histórias, quais surpresas eles podem encontrar? 

Espero que gostem da forma como estão escritas as histórias e se surpreendam com os factos mais incríveis...esses são os verdadeiros o resto é tudo ficção.


Qual o livro mais fantástico pelo qual você se aventurou? Quais aventuras você encontrou por lá? 

Felizmente há muitos livros na minha vida que me tem marcado. Posso neste momento recomendar as histórias de ficção cientifica de Philip Dick ou Artur Clarke, um romance maravilhosos de Amim Maalouf (Samarcanda), a poesia desgarrada de Alejandra Pisarnik, os contos de fadas japoneses ou a saga Nórdica de Beowulf ou o romance medieval de Tristão e Isolda. Ou a história aos quadradinhos de Persépolis...etc


Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.


Em quais peripécias você se envolve na hora de criar? (Fale sobre o que te inspira e te ajuda a criar). 

Vejo muita pintura, desenho, fotografias e histórias de quadradinhos. Aprofundo em pormenores do que estou a escrever: nomes, origens, simbologia. Invento em voz alta um relato que conto para mim ou para mais alguém. Caminho e caminho e caminho muito, absorto. A cantarolar, a falar em voz baixa, a inventar canções, a procura de frases e de repente a ideia aparece. Depois há que correr a escrever. Quando aquilo começa é dificílimo parar...mas ou menos é isso.  





Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.


Como é o lugar onde você cria? Está mais para uma floresta encantada, uma mansão mal assombrada, um grande sertão, ou a Terra do Nunca?

O meu espaço de escrita tem mudado sempre. Neste momento trabalho numa mesa de madeira que eu próprio fiz. Aqui tenho todos os meus materiais espalhados em completo caos acima, debaixo e ao redor da mesa. Desconheço o significado da palavra ordem.



Detalhes de ilustrações de Alexandre Camanho para o livro "Contos da Meia-Noite do Mundo", Rodolfo Castro, E. Aletria.


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