Conversa com o escritor | Sônia Barros | Aletria

Conversa com o escritor | Sônia Barros

Publicado: 06/12/2016

... e as asas dos haicais

Senhoras e senhores, apertem os cintos!

Neste momento, o Blog da Aletria se prepara para decolar nas asas dos versinhos, das quadrinhas e das redondilhas de Sônia Barros. A autora chega ao seu 20º livro – o segundo pela Editora Aletria – com o lançamento de “Nas asas do haicai” e deu o ar de sua graça por aqui para nos convidar a embarcar nessa leitura levíssima e encantada. A obra, ilustrada pela premiada Ângela Lago, chega a flutuar.

Quer saber como a Sônia fez para criar um livro voador? Leia tudinho sobre isso, logo aqui abaixo no nosso bate-papo.



Sônia, como a gente faz pra voar sem asas?

No meu caso, a descoberta do voo aconteceu logo na infância, através da poesia. E nunca mais deixei de voar!

A leveza dos haicais e a sinergia entre sua poesia e as ilustrações da brilhante Ângela Lago nos apresentam um livro que voa. Você poderia nos contar o que é preciso para escrever livros voadores?

Essa parceria com a querida Ângela Lago realmente foi muito feliz. Os haicais, ora ternos, ora divertidos, descrevem voos inusitados. E os desenhos, delicados e espontâneos, como os de uma criança, também levam o leitor a voar.  Assim, a leveza da poesia e a espontaneidade das ilustrações fizeram nascer esse livro voador!


A obra Nas asas do haicai apresenta “voos inusitados de seres vivos ou inanimados”. E você, também levanta voos inusitados de vez em quando? Como são esses voos e o que mais surpreende neles?

Vivo voando, desde sempre. Principalmente quando estou escrevendo ou lendo. Mas também me descubro voando ao realizar tarefas cotidianas: invento e me divirto, tentando ver graça ao que, aparentemente, não tem graça, nem asas. E é isso que torna a vida mais leve!

 

A gente sabe que você anda de namoricos com a poesia e que gosta de narrar histórias em versos e com muito lirismo, não é de hoje. As crianças recebem bem gêneros líricos? Esse público traz muito retorno sobre suas produções? Em sua opinião, porque é importante estimular o contato com esse estilo literário?

Nas asas do haicai é o meu vigésimo livro. E desses 20, a maioria é de poesia ou prosa poética. A paixão por poesia nasceu quando eu era criança, ao conhecer Cecília Meireles, Manuel Bandeira, José Paulo Paes, entre outros. E eu vejo que as crianças gostam bastante de poesia, não apenas de ouvir, ler, mas também de criar versos. Recebo cartas e mensagens dos leitores e sempre me emociono. Esse contato com a poesia deve, sim, ser estimulado na infância, pois é enriquecedor para a criança. Na poesia, a palavra é brinquedo, e o lúdico faz com que a criança tenha prazer, se envolvendo profundamente com a leitura.

 

Desafio Calango

E a Sônia Barros também aceitou o nosso Desafio Calango. Esse divertido nome a gente emprestou da cantoria popular de origem mineira, que vem lá da Zona da Mata, em que os contendedores se desafiam no improviso. Cantando quadras e sextilhas em compasso binário sobre o dia a dia da vida no interior. É derrotado o competidor que esgotar primeiro suas rimas. No nosso Desafio Calango, lançamos uma série de perguntas para os nossos convidados e os provocamos a contar um pouco de suas próprias histórias. No final, você leitor é quem acaba desafiado a embarcar em uma viagem pelas obras preferidas dos entrevistados, os locais onde produzem e as aventuras em que mergulham na hora de criar.

Para os destemidos que se aventuram pelas suas histórias, quais surpresas eles podem encontrar?

No caso da poesia, procuro surpreender com uma imagem inusitada, que emocione ou divirta. Também tento fazer com que o leitor complemente uma ideia de maneira a interagir com o poema. Afinal, é o leitor que dá vida e sentido ao que foi escrito! Nas asas do haicai, inclusive, há um convite para que as crianças retratem os seus próprios voos, aventurando-se em escrever haicais.

Qual o livro mais fantástico pelo qual você se aventurou? Quais aventuras você encontrou por lá?

Na infância eu me lembro de ter ficado fascinada com A bolsa amarela, da Lygia Bojunga. Eram várias histórias numa só. Descobri que o livro, assim como a bolsa da protagonista, podia ser um lugar mágico, de incríveis possibilidades.


Em quais peripécias você se envolve na hora de criar?

Cada livro pede técnicas e linguagens diferentes. No Tatu-balãotambém publicado pela Aletria, optei pelas quadrinhas: estrofes de 4 versos com 7 sílabas e rimas alternadas. Meu filho, que tinha uns seis anos na época, se envolveu bastante com a criação, o que me inspirou e me ajudou a escrever.  Nas asas do haicai, procurei seguir uma das formas mais tradicionais dessa poesia de origem japonesa: três versos de 5, 7 e 5 sílabas respectivamente. O que me deu muito trabalho, pois fiquei vários anos escrevendo esses voos poéticos de A a Z.


(Imagem interna do livro Tatu-balão, de Sônia Barros com ilustrações de Simone Matias)

Quem é a criança provocadora que te instiga a encarar o desafio de escrever um novo livro?

A criança que nunca deixei de ser!




Nas asas do haicai é a novidade mais quentinha da Aletria. O lançamento acontece esse sábado, dia 10 de dezembro, às 15h, na Estação Cultural (Fundacão Rumi) - Av. Tiradentes, nº 02, Centro, Santa Bárbara d'Oeste - cidade natal da autora Sônia Barros. Mas para os ansiosos, a obra já está disponível em nossa estante virtual: https://www.aletria.com.br/Nas-Asas-do-Haicai

Corre lá! (;

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