Cordel | Patrimônio Nacional | Aletria literatura de cordel, cordel, xilogravura, gravura, aletria, livro ilustrado, literatura infantil, livro.

Cordel | Patrimônio Nacional

Publicado: 21/09/2018

Poetas, declamadores, xilogravadores, folheteiros e nosso querido "Salopão: um jumento do sertão" estão em festa! No último dia 19 a Literatura de Cordel virou Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro! Não é de hoje que o Blog da Aletria gosta de falar de cordel. Em janeiro de 2017 publicamos um texto especial sobre esse tipo de literatura e sobre um de seus precursores, o poeta Leandro Gomes de Barros. Vale a pena ler de novo e conhecer um pouco mais sobre nosso mais novo patrimônio:

*texto publicado original em janeiro de 2017. 

"Entusiasta da tradição oral, a Aletria não disfarça seu apreço pela métrica, pelo ritmo e pelas temáticas ligadas à cultura popular e sua oralidade. Passeando pelas estantes da Aletria encontramos as famosas quadrinhas, tão ao gosto popular; os haicais, que vindos da cultura oriental encontraram solo fértil em terras brasileiras, onde foram reinventados aos montes; a literatura de cordel, que, com sua famosa redondilha maior, cantou e ainda canta o nordeste brasileiro; os tangolomangos e contos cumulativos, que sabem como ninguém encantar crianças e adultos em rodas de contação de histórias.

Para manter a pose de entusiasta da causa, o Blog da Aletria traz uma série de breves posts sobre autores, de língua portuguesa, que se tornaram verdadeiros mestres quando o assunto é literatura e tradição oral. Começamos falando um pouco sobre o mestre Leandro Gomes de Barros, considerado o pai da literatura de cordel no Brasil e autor do clássico folheto “O Soldado Jogador”, o primeiro cordel brasileiro que se tem notícia.

                                             


O paraibano Leandro Gomes de Barros, nascido em 1865 na cidade de Pombal, escreveu modestos 240 folhetos e foi recordista de vendas, chegando a casa dos milhões de exemplares vendidos em algumas de suas obras! Leandro morreu de morte morrida aos 52 anos em Recife, vítima da gripe espanhola. Hoje seus cordeis ainda são impressos e reimpressos pelo Brasil afora, mostrando que os cordeis e suas redondilhas ainda são atuais, encantando leitores e ouvintes com seu ritmo gostoso de ouvir.


                                                              

                                                                                  Acima, xilogravura com o retrato de Leandro Gomes de Barros.

Fica a sugestão da Aletria: ler em voz alta “O Soldado Jogador” de Leandro de Barros! ;) Segue abaixo um trechinho do folheto, para ler na íntegra acesse AQUI o Fac-símile de uma edição bem antiga dessa folheto. 

 

Era um soldado francês
Que se chamava Ricarte
Jogador de profissão
E nunca foi numa parte

Que não trouxesse no bolso

O resultado da arte.

Os franceses nesse tempo

Tinham por obrigação

O militar ou civil

Seguir a religião

O Papa deitava a lei

Botava em circulação.

Ricarte, soldado velho

Com trinta anos de tarimba

Aonde ele achava jogo

De lasquinê ou marimba

Dizia logo: – Eu vou ver

Água na minha cacimba!

Um dia faltou-lhe o soldo

Pôs-se Ricarte a pensar

Onde podia haver jogo

Que ele pudesse jogar

Era domingo e a missa

Não havia de tardar.

Dinheiro não tinha um “xis”

A crédito ele nem falava,

Pois o soldado francês

Na taberna onde comprava

Só pegava no objeto

Porém depois que pagava.

 

Sobre a métrica da literatura de cordel:

A métrica mais comum na literatura de cordel brasileira é a redondilha maior que, trocando em miúdos, quer dizer que cada um dos versos possui sete sílabas poéticas. Os cordeis, em geral, são construídos em sextilhas, ou seja, possuem 6 versos em cada estrofe. Já as rimas dos versos em sextilhas populares, quase sempre, são construídos na forma ABCBDB. Em outras palavras, rimam-se o segundo, quarto e sexto versos. Observe nesse outro trecho de “O Soldado Jogador”:

 

Ricarte foi para a missa
 - A

Com grande constrangimento,
- B

Era obrigado a cumprir
- C

A lei do seu regimento
- B

Mas não podia afastar
- D

O jogo do pensamento. - B

 

Gostou? Na estante da Aletria também tem literatura de cordel! Salopão: um jumento do sertão, escrito pelo Mestre Fernando Limoeiro e ilustrado pelas xilogravuras de Tales Bedeschi, traz a tradição do cordel até em seu cuidadoso projeto gráfico, do designer Romero Ronconi, que reproduz as tradicionais cores rosa, verde, azul e amarelo das tradicionais edições de folhetos de cordel. Como se fosse pouco todo esse “cartaz”, Salopão: um jumento do sertão  foi selecionado para representar o Brasil na Feira de Bolonha, a maior feira literária de obras infanto-juvenis do mundo!"

                                


Voltar