Leia as protagonistas | Aletria

Leia as protagonistas

Publicado: 08/03/2020

O Dia Internacional da Mulher é celebrado anualmente em 8 de março, e há alguns anos a comemoração vem ganhando discussões que muito contribuem para reafirmar o objetivo original da data, de luta por igualdade de direitos. De bombons e flores, as tradicionais felicitações passaram aos votos por respeito, conquistas e escuta. O protagonismo mudou: de homens felicitando mulheres, passamos a ver mais e mais mulheres felicitando mulheres. E discutindo também. Está na pauta do dia não só os meros parabéns, muito bem-vindos, mas também o questionamento sobre as diversas nuances da tal liberdade feminina – que, se por um lado já muito conquistou, por outro ainda nivela mulheres de acordo com sua classe social, cor, lugar de origem, identidade de gênero, entre outros.

Neste dia 8, demos uma folheada em nosso último catálogo e ficamos felizes em constatar que, na nossa estante, as mulheres são protagonistas: dos 58 livros constantes do catálogo 2019-2020, 42 possuem textos ou ilustrações – ou ambos – femininos. Mas mais que felizes, ficamos desejosos de que cada vez mais mulheres, em toda a sua diversidade, ocupem nossos espaços.

A Aletria deseja um feliz #8M a nossas queridas escritoras, ilustradoras, tradutoras, contadoras de histórias, leitoras, parceiras – presentes e futuras. Um feliz Dia das Mulheres a todas às que são! :-)



Ah, e quer dica de leitura? Separamos dez títulos para você conhecer mais as mulheres da Aletria, nas categorias Pré-leitor, Leitor iniciante, Leitor em processo e Leitor fluente. Confira abaixo.


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Pré-leitor



A MÃE QUE VOAVA

De Caroline Carvalho, ilustrações de Inês da Fonseca

A pequena Alice gostava de assistir à mãe, que voava pela casa. Lá do alto da escada a mãe parecia voar junto com os pássaros, poderia mesmo tocar o céu.




O MONSTRO DAS CORES

De Anna Llenas, tradução de Rosana de Mont'Alverne Neto

O monstro das cores não sabe o que se passa com ele. Fez uma bagunça com suas emoções e agora precisa desembolar tudo.

Será capaz de pôr em ordem a alegria, a tristeza, a raiva, o medo e a calma? A história estimula as crianças a identificar as diferentes emoções que sentem, como alegria, tristeza, raiva, medo e calma, através de cores. Por sua história cativante, "O monstro das cores" tornou-se o livro de cabeceira de milhares de famílias e educadores.



O RABO DO RATO

De Balbina Oliveira, ilustrações de Nilcemar Bejar

Nos contos de tradição oral o gato nunca foi amigo do rato. Neste aqui também é assim: o gato sempre usando a força e o rato, tão pequeno, a inteligência para ganhar a briga contra o bichano. Um dia de gato e rato, ou de rato e gato, quem será que leva a melhor nesta história?



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Leitor iniciante



NA BEIRADINHA

De Agnés de Lestrade, ilustrações de Valeria Docampo

Um urso azul inventa palavras como quem inventa caminhos para lidar com seus sentimentos mais profundos. O personagem está no livro Na Beiradinha, de Agnès de Lestrade e Valeria Docampo, mesmas autoras do sucesso A grande fábrica de palavras. Na Beiradinha é uma obra onírica, cheia de reflexões profundas e ao mesmo tempo sutis. Com delicadeza, o livro nos fala sobre a melancolia, esse sentimento que nos coloca “na beiradinha” da vida. E nos mostra que é natural que fiquemos na cama reparando rolinhos de poeira, ou que fiquemos sozinhos com o nosso tédio sem querer ver TV ou brincar com os amigos, ou ainda que fiquemos na beira da praia observando a areia escorrer entre os dedos. Não existe alegria o tempo todo. Seria lindo se todas as crianças do mundo fossem protegidas da dor e da perda. Mas não é assim. E, muitas vezes, pais e professores não sabem lidar com a criança melancólica. Também a criança que sofre não entende bem o que sente. É o que torna esse livro tão precioso e necessário.



UM COELHO

De Anabella López

Um coelho sonhava profundamente. Sonhou muito sobre um mundo inteiro, sonhou até sobre as coisas não compreendidas. Sonhou até surgir a dúvida: era ele que sonhava com outros mundos ou seriam os outros mundos que sonhavam com ele? A história nos remete à sabedoria do filósofo chinês Tchouang-Tseu que, no século IV a.C., imaginou um sonhador que sonha que é uma borboleta e, ao acordar, não sabe mais se é um homem a sonhar ser uma borboleta ou uma borboleta que sonha ser um homem. Uma obra delicada e filosófica para leitores de todas as idades. Para além do prazer da primeira leitura, as ilustrações da vencedora do Jabuti 2015, Anabella López, aguçam a percepção do leitor para outras leituras que nascem da interseção entre texto e imagem.


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Leitor em processo
De Agnés de Lestrade, ilustrações de Valeria Docampo
Existe um país onde as pessoas quase não falam. Nesse estranho lugar, é preciso comprar palavras para poder pronunciá-las. O pequeno Philéas precisa de palavras para abrir seu coração à doce Cybelle. Mas como fazê-lo se tudo o que ele tem vontade de dizer a ela custa uma fortuna? Um texto cheio de lirismo de Agnès de Lestrade, ilustrado com talento por Valeria Docampo. A publicação original da belga Alice Jeneusse Editions já ganhou tradução em doze países e finalmente chega ao Brasil.



NÃO ME TOCA, SEU BOBOCA!

De Andrea Viviana Taubman, ilustrações de Thais Linhares
Ritoca tem uma história para contar, meio difícil de entender, muito difícil de falar. O encontro com um tio gentil e sorridente acaba se tornando um pesadelo, do qual Ritoca e seus amigos, felizmente, conseguem escapar. “Se for de um jeito suspeito, ninguém deve tocar na gente!”, ela logo reconhece. De maneira lúdica, o livro Não me toca, seu boboca! mostra a todas as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Uma forma de oferecer segurança e informação às crianças sem perder o encantamento próprio da literatura. Um livro necessário, escrito cuidadosamente por Andrea Taubman e ilustrado pela talentosa Thais Linhares.


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Leitor fluente



A REPOLHEIRA

De Claudia Nina, ilustrações de Raquel Díaz Reguera

A Repolheira era alvo de constantes suspeitas. Os vizinhos diziam que ela era uma bruxa. Outros suspeitavam que tinha uma doença que deformava seu corpo, já que vivia sempre coberta da cabeça aos pés. A verdade é que ninguém conhecia a história daquela vendedora de repolhos, que só é revelada quando sua vida muda radicalmente. O motivo da mudança? Uma dica: trata-se de um conto de fadas, embora não possamos chamar de “príncipe” o personagem que... Bem, agora é a sua vez de descobrir. O livro marca a estreia da ilustradora espanhola Raquel Díaz Reguera no mercado editorial brasileiro.



BARBAZUL

De Anabella López

"Barba Azul" é um conto clássico recontado pelo francês Charles Perrault e publicado pela primeira vez sob o título “La barbe-bleue”, no livro Les Contes de ma mère l’Oye (Contos da Mamãe Gansa), em 1697. Nesta edição da Aletria, a autora e ilustradora argentina Anabella López faz uma releitura da obra de Perrault. De acordo com a autora, trata-se de “uma escolha estética inspirada pela energia animalesca do personagem, transmutado em entidade bicho-homem”. Por isso, o nome do personagem foi alterado para Barbazul. Ao criar a cena das esposas enterradas de Barbazul, colocando para cada corpo uma rosa vermelha, Anabella nos emociona e homenageia as mulheres vítimas de violência neste mundo.




CAROL

De Laerte

Carol não é uma menininha chata daquelas que morre de medo de sujar o vestido cor-de-rosa nas poças de lama deste mundo. Consciente da sua condição de criança, ela tenta compensar sua falta de experiência com um ímpeto incontrolável de explorar, descobrir e inventar que infelizmente tem faltado a muita gente. Nos quadrinhos geniais de Laerte, a Carol fica ali em algum lugar entre a Mafalda e a Luluzinha, mas com a vantagem de não se preocupar demais com o noticiário internacional, e de ter um monte de amigos, porque para ela não importa muito se as pessoas são menino ou menina.

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