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Muito além do Papai Noel: Personagens do Natal

Publicado: 17/12/2017

Os folguedos do ciclo natalino brasileiro, com influências ibéricas, ameríndias e africanas, guardam riquezas de nossa cultura popular que continuam vivas em vários cantos do país. O Blog da Aletria traz para você leitor, alguns importantes personagens do Natal Brasileiro.



Olha, olha, olha, filha! O trenó do Papai Noel passando!

Certo Natal minha mãe me falou a frase acima com tanto entusiasmo que cheguei a ver o Papai Noel cortando o céu estrelado carregando 18 presentes (deu tempo de contar 18 presentes)! Sai falando para todo mundo.




 

A festa que marca o nascimento de Jesus no calendário cristão surgiu no chamado Hemisfério Norte, mais especificamente no velho mundo europeu. Dizem os registros históricos que antes do dia 25 de Dezembro ser Natal ele era dia de saudar o rei Sol, dia de comemorar o Solstício, o dia mais curto do ano. Dali para frente, o sol iria voltar a aparecer mais e mais e a chance de sobreviver ao inverno rigoroso se tornava cada vez maior. Era motivo de festejar!


Anos depois o calendário Romano definiu o dia como a data de comemoração do aniversário de Jesus. Também era motivo de festejar! E com os festejos, vinham as danças, as músicas, as comidas, os presentes e os personagens, figuras fantásticas, mágicas ou festivas que vinham brincar e saudar Jesus, o Sol e a Vida.

 


Natal Brasileiro, de Lourdes de Deus.


Meio desconfortável com o calor daqui, o Papai Noel, que eu vi quando era pequena, é um desses personagens. Talvez o mais conhecido e divulgado atualmente. O que nem todo mundo sabe, é que o natal aqui no Brasil também tem seus personagens tradicionais, desde muito antes do Papai Noel e suas renas desembarcarem na terrinha. Os folguedos do ciclo natalino brasileiro, com influências ibéricas, ameríndias e africanas, guardam riquezas de nossa cultura popular que continuam vivas em vários cantos do país. Abaixo, o Blog da Aletria traz para você leitor, alguns importantes personagens do Natal Brasileiro:

 

 

1) Jaraguá

 


Monstro Jaraguá do Baile do Menino Deus, Recife - PE

 

Vindas para o Brasil, as festas populares em comemoração ao ciclo natalino, incluíram no folguedo animais característicos dos presépios: boi, burrinha, etc e personagens totêmicos e míticos europeus, ameríndios ou africanos: Sereia, Onça, Jaraguá, Caipora, Folharal, etc. O Jaraguá, que em Tupi significa “Bicho que Pega”, é uma das personagens do Boi de Mamão (Santa Catarina) e de alguns reisados pelo Brasil. Em Pernambuco, o Jaraguá é figura sempre presente no Baile do Menino Deus na cidade de Recife. O Jaraguá compõe-se, geralmente, de uma caveira de cavalo coberta com tecido de chita, com as mandíbulas articuladas através de um fio que tem a função de bater-lhe os dentes.

 

 

Ao meio dia estava descansando

ouvi um canto tão saudoso

só me parece um passarinho cantando

 

oh! que bicho feio!

virgem mãe de deus!

é o jaraguá, romaninha

pra pegar Mateus

 

Vem com a boca aberta, romaninha,

pra pegar Mateus

 

chegou chegou já chegou meu Jaraguá

o bichinho é bonitinho ele sabe vadiar

 

 

 

2) As Pastorinhas

 


 

Na Península Ibérica (região de Portugal e Espanha), a encenação da visitação dos pastores e dos reis-magos ao menino Jesus, recém-nascido, foi objeto de várias manifestações. Algumas das tradições trazidas para o Brasil constituíram os grupos de Pastorinhas, chamados de Pastoris. Presentes em diversas localidades do país, os principais personagens do Pastoril são: a Mestra, a Contramestra, Diana, a Camponesa, Belo Anjo, a Borboleta, o Pastor, o velho e as pastoras. Dois cordões vestidos de cores diferentes (azul e vermelho) disputam as honras de louvar Jesus Menino. As pastorinhas levam um pandeiro feito de lata, ornado de fita com a cor do cordão a que pertence e são acompanhadas por um conjunto de percussão e sopro.

 

 

Boa noite meus senhores todos

Boa noite senhoras também

Somos pastoras, pastorinhas belas

Que alegremente vamos a belém

 

Boa noite a todos por nossa chegada

A nossa diana foi quem deu entrada

Mestra e contramestra beleza elas são

Com as pastorinhas de cada cordão

 

Estrela do norte cruzeiro sagrado

Vamos dar um viva ao cordão encarna

Estrela do norte cruzeiro do sul

Vamos dar um viva ao cordão azul

 

 

 

3) O Boi



Boi Janeiro, Vale do Jequitinhonha - MG.

 

Presente em diversos festejos ao longo do território brasileiro, o boi é personagem importante de diversos folguedos, incluindo daqueles típicos do ciclo natalino brasileiro em comemoração à jornada dos Reis Magos até Belém, como o Cavalo-Marinho (Pernambuco e Paraíba), os Reisados (presente em diversos estados, em especial no Nordeste brasileiro), o Boi-Mamão (Santa Catarina) e o Boi Janeiro (Bahia e Minas Gerais). Vindo de festejos ibéricos, o boi sofreu influências ameríndias e africanas até virar o boi brasileiro.

 

 

"Sapo Cururu

na beira do rio

Quando sapo canta

oh maninha Cururu tem frio

 

Lá morreu meu boi

que será de mim

Manda buscar outro, maninha

lá em Surubim"



4) Foliões



Folia de Reis de Montes Claros.

 

Os foliões são os personagens que botam a “Folia de Reis” na rua. Considerado Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, os grupos de Folia de Reis, tradicionalmente, percorrem as casas de suas comunidades desde o dia 25 de dezembro até a véspera do dia 6 de janeiro, tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo. Trata-se de uma tradição vinda da Espanha que ganhou força especialmente no século XIX e que mantém-se viva em muitas regiões do País.

 

Agora mesmo chegamos

Na beira do seu terreiro

Para tocar e cantar

Licença peço primeiro

 

Meu senhor, dono da casa

Acordai, se estais dormindo

Venha ver a estrela d'alva

Que bonita está saindo

 

Meu senhor, dono da casa

Se escutar me ouvireis

Que dos lados do Oriente

São chegados os três Reis

 

Vimos lhe cantar os Reis

E também lhe visitar

Ó de casa, casa santa

Onde Deus veio habitar

 

 

 

5) A Burrinha

 


A burrinha do Boi de Reis Calemba Pintadinho do RN


A burrinha é um personagem presente em em folguedos também natalinos. Manuel Quirino assim descreveu a Burrinha à mara Cascudo: "Burrinha é um indivíduo mascarado, tendo um balaio na cintura, bem acondicionado, de modo a simular um homem cavalgando uma alimária [animal], cuja cabeça de folha-de-flandres produzia o efeito desejado. A música se compunha de viola, ganzá e pandeiro. O divertimento semelhava-se aos dos ternos [folia de reis]; a diferença, apenas, estava na presença da burrinha e nas chulas [dança popular do Norte de Portugal, com canto acompanhado por rabecas, violas, violões e percussão].

 

"Minha burrinha bebe vinho

Bebe também aguardente;

Arrenego deste bicho

Que tem vício feito gente.

Xô-xô, bichinho,

Xô-xô, ladrão,

Cadeado do meu peito.

Chave do meu coração.

Bota a burrinha pra dentro.

Pro sereno não molhar.

O selim é de veludo.

A colcha de tafetá.

Xô-xô, bichinho. etc.”

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