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Na beiradinha: um limite com vista pro mundo

Publicado: 03/06/2019

*por Fabíola Farias

Os livros para crianças, muitas vezes assim definidos em função de seus formatos grandes e ilustrações, há muito amadureceram a ideia de infância como etapa de inculcação de valores. Se há não muito tempo grande parte dessa produção contava aos pequenos aventuras do bem e do mal que tinham como protagonistas crianças e animais em histórias com fins edificantes, de alguns anos para cá são outras as narrativas que se apresentam nos livros destinados a esse público – reparem que digo “destinados a esse público” e não propriamente infantis. Mais que contar histórias, o que já é bastante quando feito com arte, os livros ditos infantis se reinventaram nas últimas décadas. Em narrativas híbridas, compostas por texto e ilustrações, às vezes apenas ilustrações, orquestrados por projetos gráficos arrojados, que extrapolam em muito a distribuição de letras e imagens nas páginas, fazem mais que contar histórias. Em suas melhores realizações, felizmente em grande número na produção editorial brasileira, com autorias nacionais e estrangeiras, são um convite, não restrito às crianças, à experimentação artística, a exercícios de fruição do processo criativo em si mesmo, em que palavras e imagens se oferecem como narrativas. Este é, indiscutivelmente, o caso de Na beiradinha, de Agnès de Lestrade e Valeria Docampo, publicado com primor no Brasil pela editora Aletria.




Um terno urso azul nos pega, aos leitores, pelas mãos, mas não para contar uma história com começo, meio e fim. A bem da verdade, vale dizer que nada de concreto acontece em Na beiradinha. O que temos nesse livro precioso é o convite à experiência poética, ao alargamento de fronteiras entre o que somos e o que podemos ser – pequenos, médios e grandes. Sonhos, frio, areia, tédio, silêncios, livros e lágrimas se reinventam na linguagem para ressignificar nossa pequenez no mundo, transformando-a em promessa de grandeza quando, ao encontrar a nós mesmos, vamos em busca do outro. Saber do que somos, sentimos e pensamos hoje nos oferece linguagem para construir muitos amanhãs, todos eles marcados pelas beiradinhas que conquistamos empurrar para frente, ampliando seus contornos, ou pelo que assumimos como a vida que conseguimos viver. Porque trata da vida e de nossa humanidade, Na beiradinha é um livro para todas as idades. 


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*Fabíola Farias é graduada em Letras, mestre e doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais. É leitora-votante da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e, atualmente, realiza estágio de pós-doutorado no Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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