O livro infantil como recurso terapêutico | Aletria Aletria, mediação de leitura, livro, terapia, fonoaudiologia, sindrome de down, autismo, crianças com transtornos, literatura infantil, livro ilustrado, Aline Lucena.

O livro infantil como recurso terapêutico

Publicado: 24/04/2018

Em Abril comemoramos TRÊS importantes datas de nosso calendário de efemérides: o dia internacional do livro infantil (comemorado no dia 2 de abril, data do nascimento do escritor Hans Christian Andersen), o dia nacional do livro infantil (comemorado no dia 18 de abril, data do nascimento do escritor Monteiro Lobato) e o dia internacional do Livro (comemorado no dia 23 de abril)! E a Aletria (claro!) está em festa. O mês inteiro com especiais sobre mediação de leitura em nosso blog e um super desconto de 40% em toda nossa loja virtual.

Na primeira semana, publicamos um especial com dicas preciosas para a mediação de leitura de contos tradicionais. Na última semana nosso especial foi sobre um momento nem sempre fácil: a mediação da escolha de um livro. Dessa vez, nosso post é assinado por Aline Lucena. Fonoaudióloga especializada em linguagem infantil, Aline é mestre em Ciências da Saúde da Criança e do Adolescente e especialista em Neuropsicologia. Nesse especial, a fono traz importantes pontos sobre  o papel do livro infantil como ferramenta para o desenvolvimento cognitivo da criança. Do ponto de vista terapêutico, como as palavras e imagens de um livro podem contribuir na mediação do desenvolvimento da linguagem em crianças com diferentes diagnósticos? Fique com as palavras da fonoaudióloga: 


Foto: Acervo pessoal de Aline Lucena.


O livro é um recurso terapêutico importantíssimo no trabalho com crianças de diferentes diagnósticos, basta fazer uma boa escolha e saber explorar o conteúdo da obra. É interessante que os terapeutas e mediadores de leitura conheçam antecipadamente a narrativa do livro, utilizando texto e imagem como uma forma de:

- exemplificar o que está sendo trabalhado em  sessões de terapia, por exemplo para  automatizar fonemas que estão sendo inseridos na fala da criança; 

- amparar o desenvolvimento cognitivo, procurando aprimorar o tempo de atenção sustentada pela criança, assim como sua noção temporal e espacial;

- ampliar o léxico e organizar o vocabulário em categorias semânticas;

- desenvolver o simbolismo e a capacidade de imaginar junto com os pequenos;

- fortalecer o vínculo terapeuta/paciente, mediador/criança, pais/filhos.



Foto: Acervo pessoal de Aline Lucena.


Vale ressaltar aspectos importantes aos quais o mediador, que apresenta o livro à criança, deve estar atento:

- é interessante que a criança participe da escolha do livro.

- o leitor deve modificar o ritmo e entonação durante a narração , isto é, abusar da “pragmática”. Os pequenos estão sempre muito atentos à estes aspectos na fala do adulto.

- a leitura deve ser realizada em ambiente tranquilo, sem competitividade sonora, para que as crianças consigam processar melhor a narração.

- permita que a criança participe, faça comentários ao longo da leitura e explore os comentários. Dessa maneira você facilita que a narrativa, assim como os novos vocabulários, encontrem uma organização dentro do cérebro da criança. 



Foto: Acervo pessoal de Aline Lucena.


Pensando nas particularidades de diferentes diagnósticos, seguem alguns pontos de atenção para que a mediação de leitura seja ainda mais proveitosa:


Papais e mamães de autistas:

  • Aproxime o livro o mais próximo do seu rosto para buscar a atenção da criança. Nesse momento, brinque com as expressões, EXAGERE, é importante que eles percebam isto. Além disso, deixe que a criança por si só explore o material como ela achar que deva.


Papais e mamães de crianças com Síndrome de Down:

  • Explore a produção de sons expostos nos livros, os quais chamamos de onomatopeias. Ex. Au, au.. Miau!... Piu piu...


Papais e mamães de disléxicos:

  • Permita que o contato com o livro seja o mais agradável possível. Faça elogios quando os pequenos conseguirem ler qualquer palavra, mesmo que seja “uma dedução” apoiada nos desenhos de cada página. Mostre no texto a palavra que ele supostamente “leu”. Releia junto à criança e dê sequência ao texto, assim eles irão aumentar o interesse pelos códigos presentes em um texto. Durante a leitura, vale até acompanhar com o dedinho.


Papais e mamães de crianças com Paralisia Cerebral:

  • Abuse de recursos que os livros trazem como  ilustrações, texturas e sons.


É importante lembrar que todas as dicas, independente das patologias listadas acima podem ser utilizadas com todas crianças. A divisão em itens surge a partir da necessidade de intervenção nos principais sintomas de cada quadro.

E para finalizar com “chave de ouro” uma última dica: mostre para a criança, no mundo real, elementos presentes nos livros recentemente lidos. Árvores, bichos, flores, sons, gostos, cheiros…

E que tenhamos todos uma boa leitura. Todos os dias! 


 

Aline Lucena é Fonoaudióloga especializada em linguagem infantil e Neuropsicologia. Aline fez mestrado em Ciências da Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal de Minas Gerais, quando desenvolveu projeto experimental acompanhando o espaço de contação de histórias e biblioteca "La Maison des Contes et des Histoires" em Paris - França. 


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