O que eu quero lhe dizer custa caro

Publicado: 06/05/2017

... e a palavra mágica


“Ave, palavra” será sobre a potência metamorfoseante, ambulante e libertadora da palavra?

Essa tal ‘PALAVRA’, trata-se de uma magia tão poderosa, capaz de marcar a existência do que é pregnante - porém difícil de apreender -, daquilo que reside no subjetivo e (é) só e torná-lo público, compartilhável. Torná-lo também transitório, interpretável, moldável, matéria-prima para inspiração de outro, barro.

É aquilo que aproxima, que vincula, que ajuda a gente a saber que não é só com a gente, que a gente não precisa andar o tempo todo só. Também é aquilo que ajuda a organizar o silêncio na solitude.

A palavra é identidade e, por isso, lembrança, força e esperança.


eles queriam a gente calada

mas quando uma preta fala sua palavra

alimenta a voz de todo povo preto na diáspora

eles queriam a gente alisada

mas quando uma preta encrespa sua palavra

alimenta a beleza de todo povo preto na diáspora

eles queriam a gente estuprada

mas quando uma preta goza sua palavra

alimenta o prazer de todo povo preto na diáspora

eles queriam a gente domesticada

mas quando uma preta revoluciona sua palavra

alimenta a liberdade de todo povo preto na diáspora

eles queriam a gente entre a cruz e a espada

mas quando uma preta encruzilha sua palavra

alafia o caminho de todo povo preto na diáspora

– Laroyê! –

eles queriam a gente tudo isolada, brigada, rivalizada

mas quando uma preta compartilha sua palavra

alimenta os laços de todo povo preto na diáspora

eles queriam a gente assassinada

mas quando uma preta vive sua palavra

alimenta a vida de todo povo preto na diáspora

por isso eu num me calo, preta

por isso que eu falo, preta

y quando você fala, preta, sua palavra preta alimenta também a minha palavra


(fala, preta - Nívea Sabino)



A palavra abre caminhos e os conclui. Ela está no caminho e é o próprio caminho. Por isso, ela adoece e, por isso, ela cura.


Zélia escuta. Ela escuta as pequenas infelicidades, as grandes preocupações, tudo o que eles têm a lhe dizer. As pessoas se sentem aliviadas de suas dores; elas retornam mais leves. Em troca, elas oferecem uma pequena sementinha à Zélia.

(..)

Como todas as segundas-feiras, Zélia atravessa a cidade e chega até a praça. Ela escolhe algumas sementinhas e sopra delicadamente sobre elas. E, opa!, surgem magníficos balões para todas as crianças.


(Zélia - Christelle Vallat, com ilustrações de Stéphanie Augusseau)



A palavra é o que dá asas. São os sentidos que habitam em mim levantando vôo e indo encontrar os sentidos que habitam os outros. Quando encontram pouso, se fundem, viram nova palavra, tornam nova a palavra, transtornam a existência.

Por isso, há palavras que custam muito caro.


Existe um país onde as pessoas quase não falam. Nesse estranho lugar, é preciso comprar palavras para poder pronunciá-las. O pequeno Philéas precisa de palavras para abrir seu coração à doce Cybelle. Mas como fazê-lo se tudo o que ele tem vontade de dizer a ela custa uma fortuna?


(A grande fábrica de palavras - Agnés de Lestrade, com ilustrações de Valeria Docampo)

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O Instituto Cultural Aletria entende essa potência que reside na palavra, na palavra escrita que encanta os pequenos de todas as idades. Na palavra falada, sagrada, passada de geração a geração como a herança mais preciosa. Na palavra ilustrada, que não se prende à letra, mas transcende tanto quanto a própria imaginação. E a gente tem o maior prazer de compartilhar nosso trabalho, que consiste na preservação e no compartilhamento dessa potência.

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