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Os Tapetes Contadores: Ateliê de Histórias

Publicado: 04/07/2017

Tapete voador a gente já viu. Mas e tapetes contadores de histórias? Você já viu algum? Mês de julho é mês de novidades na Aletria. Do dia 17 ao dia 20 de julho, o Instituto Cultural Aletria irá receber o ator e contador de histórias Warley Goulart, coordenador do grupo carioca "Os Tapetes Contadores de Histórias", para ministrar a oficina "Ateliê de Histórias". A gente não ia dizer nada, para não falaram que estamos puxando sardinha! Mas, cá pra nós, essa oficina não dá para perder não!


Texto originalmente publicado no site: www.tapetescontadores.com.br

Criar e utilizar tapetes ou painéis de tecido como cenários para narração oral é uma manifestação popular recorrente em diversas culturas e em distintas épocas da história da humanidade (gabbehs iranianos, arpillería andina, quilts da tradição colonial norte-americana, estandartes de palha e pano do nordeste brasileiro).

Desde a antiguidade, podemos encontrar narrativas que envolvem tapete e oralidade, têxtil e texto, como o mito grego de Filomena (séc V a.C.) que, raptada pelo cunhado e impedida de falar, tece um grande tapete para contar à irmã as maldades do marido e obter justiça.


Em 1998, na cidade do Rio de Janeiro, atores formandos pela Escola de Teatro da UniRio tiveram conhecimento desta prática a partir do contato com o diretor teatral, contador de histórias e artesão francês Tarak Hammam, responsável pelo projeto “Raconte-Tapis”, desenvolvido no interior da França desde 1987. Tal projeto foi fundado por sua mãe, a educadora Clotilde Hammam, quem teve a iniciativa de costurar tapetes para contar histórias e, com isso, estimular crianças à leitura.

No Brasil, os atores fundaram o grupo “Raconte-Tapis – Os Tapetes Contadores de Histórias” e começaram a se apresentar em diversos espaços culturais do Rio de Janeiro, além de participar e produzir uma série de atividades e oficinas com Tarak Hammam. De início, o acervo do grupo era composto por tapetes criados pelo artista francês, que representam cenários de contos da África, Ásia e Europa.

Foto: Renato Mangolin

Quatro anos depois, em 2002, os coordenadores do grupo, Cadu Cinelli e Warley Goulart, confeccionaram tapetes baseados em contos de Carlos Drummond de Andrade, especialmente para a sessão ‘Retalhos de Drummond’, inaugurando um projeto de criação de tapetes a partir de histórias brasileiras. Neste movimento de criar suportes baseados na literatura oral e escrita nacional, e após intenso contato com a realidade educacional e cultural brasileira, o grupo mudou seu nome para “Os Tapetes Contadores de Histórias”.

A partir de então, o grupo passou a contar histórias e ministrar oficinas em cidades do Brasil e exterior, e, nestas visitas, se deparando com uma profusão de objetos que distintos artistas criavam como cenários para apoio às suas narrativas orais – ora como resultado de uma tradição cultural, ora criação exclusiva do próprio artista.

Inspirados por estes encontros, em 2004, Cadu Cinelli e Warley Goulart confeccionaram mala, avental, tapete, caixas de pano e madeira para dar vida a histórias de Ana Maria Machado (Brasil) e Jutta Bauer (Alemanha), criando a sessão de histórias ‘Cabe na Mala?’. Neste mesmo período, a integrante do grupo Rosana Reátegui foi ao Peru estudar as possibilidades criativas da arpillería (técnica artesanal andina de costura à mão de painéis de tecido).

Ambas pesquisas alcançaram em 2005 novos resultados: No Rio de Janeiro, o grupo criou um tapete gigante de 12 metros para o espetáculo ‘O rei que ficou cego’, baseado em homônimo conto popular brasileiro, na versão de Ricardo Azevedo (Brasil); e em Lima (Peru), Rosana Reátegui fundou o ‘Manos que cuentan’, uma ação conjunta com artesãs da Associación de Arpilleras Taller Santa Julia na produção de livros de pano a partir da literatura oral peruana – ação que recebeu no mesmo ano o Prêmio de Melhor Livro-Objeto pela Câmara Peruana do Livro. No ano seguinte, o projeto dos Tapetes Contadores recebeu o PRÊMIO CULTURA NOTA 10, do Governo do Estado do Rio, como umas das 21 ações culturais mais importantes do ano; e convidados pela Editora Global (SP), Cadu Cinelli e Warley Goulart criaram ilustrações de tecido para o livro ‘O congo vem aí’ de Sérgio Capparelli.

A partir de 2007, todos os integrantes do grupo se enveredaram na costura dos cenários utilizados no o projeto, aprofundaram a parceria de criação de painéis com o projeto peruano ‘Manos que cuentan’ e, pela primeira vez, investiram em repertórios exclusivos para jovens e adultos. Para crianças, o grupo montou duas sessões: ‘Bicho do Mato’, para a qual o grupo confeccionou um jardim todo de tecido (vaso, planta, moita, pedra e jardineira) que serve de abrigo para contos populares brasileiros e histórias de Ana Maria Machado e Ricardo Azevedo; e ‘Palavras Andantes’, que conta com painéis-cenários feitos no Peru para ilustrarem narrativas da América do Sul. Para jovens e adultos, outras duas sessões: ‘O mundo de fora pertence ao mundo de dentro’ traz caixas, vestidos, painéis e saia, para narração de contos de Ricardo Azevedo (Brasil) e Peter Bichsel (Suíça); já ‘Divinas y Humanas’ apresenta contos de amor e erotismo do universo andino, com a ajuda de objetos e tapetes criados no Peru.

Em 2009, o grupo montou dois espetáculos (um infanto-juvenil e outro adulto) que se apropriam de elementos teatrais como o trabalho físico dos atores, dança, música ao vivo, luz, cenário, figurino. Em ‘Passarinho à toa’, a poesia de Manoel de Barros (Brasil) é pano de fundo para um curioso quintal reinventado, que mescla palavra, viola, corpo e tecido; já em ‘3Horizontes’, atores e violoncelista exploram um conjunto de linguagens (oralidade, dança, música ao vivo, artes visuais) para dar corpo e voz a contos trágicos de Margueritte Yourcenar (Bélgica). Neste mesmo ano, o grupo tornou-se representante brasileiro de ‘La Red Latinoamericana de Cuentería’ e produziu o I Encontro Internacional CAIXA de Contadores de Histórias, em Salvador.

Texto originalmente publicado no site: www.tapetescontadores.com.br

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Mais informações: 


Ateliê de histórias - Oficina de formação com Os Tapetes Contadores de Histórias

Data: de 17 a 20 de julho (seg a qui), das 19 às 22h

Carga-horária: 12h

Público-alvo: Jovens e adultos, a partir de 14 anos. Contadores de histórias, professores, artistas, arte-educadores, psicólogos, sociólogos, arte-terapeutas, pais e avós.

Ementa: Intercalando teoria e prática, Ateliê de Histórias é uma oficina de formação de contadores de histórias, onde os participantes passam por uma série de dinâmicas em torno das práticas narrativas, análise da estrutura e espacialidade dos contos e criação de suportes plásticos para contar histórias. Ministrada pelo artista e cofundador do grupo carioca Os Tapetes Contadores de Histórias, Warley Goulart, a oficina é um intensivo deste processo de 19 anos de projeto de arte e incentivo à leitura, cujas obras mesclam oralidade, teatro e artes visuais. 

Professor: Warley Goulart é ator, contador de histórias e artista plástico, formado em Artes Cênicas pela UniRio e especialização em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF. Há 19 anos participa e coordena o grupo carioca Os Tapetes Contadores de Histórias, referência no Brasil e exterior na arte de contar histórias. Desde 1998, o grupo cria e se utiliza de tapetes e outros recursos de tecido como cenários de contos populares de origens diversas e consagrados escritores nacionais. Sua pesquisa envolve o diálogo entre oralidade e artes visuais,intersecções entre texto e têxtil e manifestações plásticas que os povos criam como cenários para suas narrativas. 

Valor da inscrição: R$280,00 (duzentos e oitenta reais)

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