Sobre Festejar o Tempo... | Aletria

Sobre Festejar o Tempo...

Publicado: 22/12/2016
Alice suspirou cansada. “Acho que você poderia aproveitar melhor o seu tempo”, disse, “em vez de desperdiçá-lo propondo charadas que não têm resposta.”
“Se você conhecesse o Tempo como eu conheço”, disse o Chapeleiro, “não falaria em desperdiçá-lo, como se fosse uma coisa. É um senhor.
“Não entendo o que você quer dizer”, disse Alice.
“Claro que não entende!”, disse o Chapeleiro, atirando a cabeça desdenhosamente para trás. “Acho que você nunca sequer falou com o Tempo!”
“Talvez não”, respondeu Alice cautelosamente, “mas sei que tenho de bater o tempo, quando estudo música.”
“Ah! Isso explica tudo”, disse o Chapeleiro. “Ele não suporta ser batido. Agora, se você mantivesse boas relações com o Tempo, ele faria quase tudo o que você quisesse com o relógio. Por exemplo, vamos supor que fossem nove da manhã, bem na hora de começar as aulas. Você só teria de sussurrar uma dica para o Tempo, e o ponteiro giraria num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!”
Acima, uma das ilustrações originais da primeira versão de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. A gravura é de de John Tenniel e ilustra o momento do chá das seis com o Chapeleiro Maluco. O eterno chá das seis!

O tempo. Muso de poetas, protagonista de tantas histórias, personagem que povoa o imaginário e as narrativas infantojuvenis, dos clássicos às obras saindo do prelo pelo primeira vez. O tempo afobou o coelho de Alice, Vinícus de Moraes materializou o tempo no tic tac, tic tac, dia e noite, noite e dia...

No livro, "Enrique e os Monstros" (Ed. Aletria), Enrique convive com o "monstro apressado", de braços longos e pernas grandes, o monstro apressado está sempre ali anunciando a passagem do tempo: "Está tarde, corre, corre!". Na história de João Basílio, "Gabi, perdi a hora!" (Ed. Lê), a protagonista sai em busca da hora perdida pelo pai. O poeta Carlos Drummond, sabedor das coisas e recordista de citações online, já explicou por A mais B nosso apego por dividir e nomear o tempo: "Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, / a que se deu o nome de ano, / foi um indivíduo genial. / Industrializou a esperança / fazendo-a funcionar no limite a exaustão."



Os almanaques e anuários de cabeceira do tempo da vovó, também giram em torno do tempo: a colheita, as estações da lua, o zodíaco. É a roda da fortuna, é o ciclo sem fim! 


Acima, xilogravura da folha de rosto do Lunário Perpétuo, almanaque português publicado pela primeira vez em 1594 e reeditado inúmeros vezes ao longo dos séculos. 


O tempo também é divo dos provérbios populares e ensinamentos de mãe. Flecha atirada e palavra pronunciada não voltam atrás. Há que dar tempo ao tempo. O tempo é o talismã divino. Ora vilão, ora aliado, o certo é que o tempo não dá marcha a ré. A gente divide o tempo pra se encontrar nele. A gente é tempo, tempo amontoado, memória. 


Nós da Aletria saudamos o tempo que passa e o ano que nasce. Obrigada a todos os parceiros, amigos e leitores que constroem com a gente o Instituto Cultural e Editora Aletria. Dois Mil e Dezessete, pode entrar, venha pela sombra.

 

Do dia 23/12 ao dia 02/01, a Aletria estará saudando o ano novo e os festejos natalinos. Nesse período, nosso escritório estará fechado. Os pedidos de nossa loja virtual, feitos durante esse período, serão entregues a partir do dia 03/01 ;)

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