TRADIÇÃO ORAL

Publicado: 13/04/2017

... de conto em conto e reconto

Você sabia que contos, provérbios, canções, mitos e lendas também podem ser considerados patrimônio cultural?

Cada povo encontrou meios de transmitir conhecimentos e costumes e até de registrar momentos da própria história através da oralidade. A mídia mesmo teve suas origens assim. Ainda na antiguidade, as notícias eram comunicadas em praça pública para grandes multidões de maneira falada e, no boca a boca, se espalhavam por todo o povoado.

Artifícios como métrica, rima e ritmo são utilizados desde sempre na transmissão oral de informações, de forma a tornar essa transmissão mais eficiente e os conteúdos narrados mais fáceis de memorizar.

Algumas estruturas e formas de contar foram se constituindo entre os povos através da repetição do conteúdo de maneiras específicas, transformando-se em verdadeiros repertórios e a esses repertórios passados de geração a geração dá-se o nome de tradição oral.

E como a páscoa tá aí batendo na porta, o Blog da Aletria traz na coluna Tradição Oral, um conto russo sobre um dos principais símbolos dessa data.

A velinha, a galinha e os ovos de páscoa*

Numa pequena aldeia, havia uma pequena casa. Nesta casa morava uma velhinha. Ela criava uma galinha e um coelho.

A galinha tinha seu ninho embaixo da escada e lá botava seus ovos. O coelho vivia solto pelo gramado que circundava a casa. A galinha cacarejava toda vez que botava um ovo, e a velhinha corria para recolher o ovo que a galinha botava e a alimentava com boa comida. A velhinha gostava muito da carijó, que tinha a crista vermelha, as patinhas amarelas e as penas coloridas. Gostava também do coelho, que tinha o lábio partido, as orelhas bem grandes e o pelo branco bem fofinho.

Certo dia, a velhinha escuta a galinha cacarejando tão alto e tão feliz:

- Botei, botei, botei!

Até o coelho assustou-se e ficou com as orelhas em pé. A velhinha desceu bem rápido os degraus da escada, abaixou-se e viu no ninho um ovo bem grande, com manchas multicoloridas. Era tão lindo que ela não cansou de admirá-lo. Com muito cuidado pegou-o e levou-o para a cozinha. Ficou pensando o que faria com ele. Não podia come-lo, pois era muito bonito e também não podia deixa-lo como enfeite, pois poderia cair e quebrar-se. O coelho que estava ao seu lado, disse-lhe:

- E se der de presente para uma criança? A Páscoa está chegando e com certeza quem recebe-lo ficará muito feliz.

- A idéia é boa, respondeu a velhinha, porém para qual criança? Eu conheço tantas.

Ela pensou um pouco e exclamou:

- Já sei, vou juntar muitos ovos da galinha carijó e depois de pintá-los vou presentear todas as crianças.

Saltitando e feliz, o coelho dizia:

- Eu também vou ajudar a pintar.

Assim dito, assim feito. A galinha carijó botou muitos ovos. A velhinha recolheu-os numa cesta de vime e junto com o coelho branquinho, pintou-os. Ficaram tão bonitos. Multicoloridos. Vermelhos, verdes, azuis, amarelos, roxos. Alguns listrados., outros com bolinhas e até com flores. No domingo de Páscoa, a velhinha os colocou numa bela cesta e o coelho branquinho distribuiu-os para todas as crianças da aldeia. 


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*Conto lituano

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