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Tem Criança no Museu! - Entrevista Especial

Publicado: 04/10/2017
Quem foi o adulto sabichão que inventou de dizer que lugar de criança não é no museu? Só rindo! Nós crianças já somos artistas desde pequenininhos! Duvida? Quando fazemos bolinhas de barro, desenhamos na terra ou areia do mar, cantarolamos uma música inventada, dramatizamos longas conversas com amigos imaginários ou ainda movimentamos o corpo nas brincadeiras e danças já estamos experimentando o fazer artístico. Meu pai, por exemplo, vive dizendo: "Que menina mais arteira!". Já minha vó, quando faço alguma baguncinha, diz bem séria: "deixa de fazer arte, menina!".


Detalhe de ilustração de Bruno Nunes para "A Pequena Gilda no Museu". 

Já que fazemos arte, também gostamos de um bom museu. No meu caso, eu gostei tanto tanto de visitar o museu de artes que a Editora Aletria fez até um livro contando um pouco mais sobre isso: "A Pequena Gilda no Museu"! E como não se entende os mistérios do mundo, o lançamento do meu livro foi marcado para o inicinho de outubro, bem nesses tempos de tantas polêmicas sobre crianças e museus. Danadinha essa editora! 


Detalhe de ilustração de Bruno Nunes para "A Pequena Gilda no Museu". 

Agora fiquei sabendo que o pessoal da Aletria encontrou um menininha que se parece comigo, a Valentina! Bem que eu desconfiei, devem existir muitas "Gildas" por aí. A Manu, mãe da Valentina, bateu um papo com o Blog da Aletria e contou um pouquinho sobre os passeios com a Valentina no museu. A entrevista você pode ler logo abaixo. Acho que vou chamar a Valentina para ir ao museu comigo, acho que ela vai adorar o Seu Manuel! E o melhor, ela também é gosta da Lygia Clark! ;)   

Um abraço da Gilda. 

#TemCriançaNoMuseu
#VaiTerCriançanoMuseuSim

ps: Vai lá no meu lançamento! 


"Por meio da arte é possível desenvolver a percepção e imaginação, 
aprender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade critica, 
permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e 
desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada.
 
(ANA MAE BARBOSA)

Detalhe de ilustração de Bruno Nunes para "A Pequena Gilda no Museu". 

No mês que a Aletria lança A Pequena Gilda no Museu: descobrindo a Arte Brasileira, de Flávia Azevedo com ilustrações de Bruno Nunes, nosso Blog traz uma entrevista especial sobre crianças no museu de artes. Conversamos com Emanuela São Pedro, a Manu, mãe da Valentina, uma menininha esperta de 5 anos que, assim como nossa protagonista Gilda, adora um museu e não gosta de perder nenhuma exposição! 


Valentina em uma instalação no CCBB - Exposição da Patrícia Piccinini

Valentina e Manu sabem muito bem que o espaço do museu é cheio de potencial para a criança conhecer outras culturas, outros modos de sentir e de ver, fundamentais para o desenvolvimento integral da criança que, ao se perceber em um mundo multicultural, repleto de ideias e formas de expressões diferentes, sente-se também mais protagonista desse mundo. Mesmo assim, o museu, em especial o museu de artes, muitas vezes ainda é visto como um espaço que não combina com crianças. Na contramão desse entendimento, os Educativos dos museus de artes tomam proporções cada vez mais importantes, propondo formas de visitação e apreciação mais lúdicas e interativas de obras de artes. Se for depender de Gilda, Manu e Valentina, os museus estarão cada vez mais cheios de crianças! 


Valentina e Manu na exposição do Mondrian.

ALETRIA:  “A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar, cem sempres, cem modos de escutar as maravilhas de amar, cem alegrias para cantar e compreender, cem mundos para descobrir, cem mundos para inventar, cem mundos para sonhar”. (Loris Malaguzzi).  Conta pra gente, por que museu também é lugar de criança? :) 

MANU: Museu é lugar de criança porque criança é imaginação, brincadeira e criação. O museu permite viagens no tempo, descobertas sobre as coisas, sobre as pessoas, sobre os lugares. Ilustra e enche a criança de variados repertórios. Museu tem tudo a ver com criança por que alimenta a curiosidade, permite fazer perguntas, achar respostas. É um lugar muito rico para a infância.


Primeira visita ao museu da Valentina, 1 aninho.


A: Quais foram as experiências mais divertidas no museu com a Valentina? 

M: Todas as idas ao museu são muito legais porque é maravilhoso assistir às descobertas que ela faz do mundo. Ela identifica obras que já viu em livros, identifica artistas, ela gosta das obras interativas. Ela inventa brincadeiras a partir das exposições. Ela adora brincar de estátua da Patricia Piccinini, rsrsrsrs. E não pode fazer cosquinha, porque nas obras não se toca! Ela vibra quando chega uma exposição nova. Ela vê fotos do Louvre com os olhos brilhando, acha o máximo um museu pirâmide, decide que quer ir até lá para conhecê-lo! Já aconteceu dela ter ido a exposições com a escola antes de ir conosco. Então, quando chegamos ao Museu, ela já conhece tudo e nos guia pelas salas, sempre muito empolgada. Uma vez precisou fazer uma pesquisa para a escola sobre o feriado de 7 de setembro. Então ela ilustrou a exposição da Inconfidência Mineira do Memorial Minas Vale porque ligou esse momento da história com as lutas pela independência do Brasil.


Valentina na exposição de Erwin Wurm.

A: A arte faz com que a criança interaja com o mundo criativo e imaginário que existe dentro dela. Possibilita também que a criança perceba que  existem muitas formas de se expressar, de conhecer o mundo. A partir de sua vivência, você acredita que ir ao museu também é uma forma de a criança vivenciar, experimentar e respeitar as diversidade cultural?

M: Sem dúvida alguma. Ela já entendeu que não existe o feio e o bonito na arte. Ela mesmo diz que são estilos diferentes, mesmo que às vezes torça o nariz para algo que não agradou. E leva isso quando fala dos desenhos que os colegas fazem: fulano não faz o nariz quando desenha pessoas, ou seja, ele não desenha pessoas como eu. E isso é ok, sem julgamentos. Ela sabe que alguns artistas desenham usando formas geométricas, que outros fazem pinturas tão realistas como uma fotografia. Também percebe diferenças étnicas e culturais ao apreciar uma obra indígena, uma cerâmica feita de barro ou artes de outros continentes, como o africano. E o respeito às diferentes formas de se manifestar na arte é um ensaio para o respeito às diferenças cotidianas.


Valentina na exposição de Erwin Wurm.


A: "Sensível ao novo, a imaginação é também uma dimensão em que a criança vislumbra coisas novas, pressente ou esboça futuros possíveis. Ela tem necessidade da emoção imaginativa que vive por meio da brincadeira, das histórias que a cultura lhe oferece, do contato com a arte e com a natureza, e da mediação adulta: o dedo que aponta, a voz que conta ou escuta, o cotidiano que aceita." (G. Girandello). Para você, quais são os desafios de se tornar essa mediação adulta dentro de um museu? 

M: Acho que os desafios são de orientar sem interferir, de esclarecer sem dar todas as respostas, de responder com novas perguntas para que a criança tenha seu espaço de criação  e interpretação. A ida ao Museu deve ser um programa divertido e prazeroso, uma viagem juntos onde cada um desenha seu próprio percurso.


Valentina em exposição do Instituto Inhotim.

A: Valentina tem artistas favoritos? Quais são? 

M: Ela conhece alguns, seja porque os trabalhou na escola, seja porque se identificou mais com suas obras. Ela fala muito de Van Gogh, Paul Klee, Jackson Pollock e, como não poderia faltar, Patricia Piccinini.


Exposição de Patricia Piccinini.

A: Para além do Museu, como o contato com o fazer artístico permanece nas conversas em casa, na rua e na escola? Você pode falar um pouquinho sobre como essas experiências incidem no dia a dia da Valentina?

M: Tudo vira uma coisa só: uma conversa sobre a história do Brasil acaba nos levando a assuntos da cultura portuguesa, indígena, africana; o retorno pra casa, voltando da escola, nos suscita um papo sobre o pixo e o grafite;  um passeio ao sítio da família sempre termina com uma exposição de obras com tinta, canetinha, folhas, terra e pedrinhas. Ela desenha muito e tenho certeza que os diferentes traços que ela conhece influencia na identidade do traço dela. Ela interpreta o mundo com desenhos, ela está o tempo todo registrando tudo, suas emoções e suas invenções. Até para contornar o medo de monstro, típico da idade, a arte fez toda diferença. Incentivamos que ela nos mostrasse como eram os monstros que a deixavam assustada reproduzindo-os com papéis coloridos, fitas e canetas. Acho que quando ela deu concretude a eles, se afeiçoou e passou a ter outra relação, diferente do medo.


Valentina no amado quarto vermelho no Instituto Inhotim.


Valentina no amado quarto vermelho no Instituto Inhotim.
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Gilda é uma menina muito curiosa e sempre se interessou por arte, que só conhecia pelos livros. No dia do seu aniversário, seu pai promete levála ao museu próximo de sua casa, mas ele não aparece. Gilda vai sozinha e lá tem a sorte de conhecer o Sr. Manuel, zelador do museu, também apaixonado pela arte brasileira. Guiada pelo Sr. Manuel, Gilda conhece grandes artistas contemporâneos como Lygia Clark, Hélio Oiticica e Tarsila do Amaral. Através do olhar entusiasmado da garota, o leitor vai conhecer diversos artistas brasileiros e entender um pouco mais sobre artes plásticas, além de se divertir com a história da estreante autora mineira Flávia Azevedo e as ilustrações primorosas de Bruno Nunes.

  • DATA: Sábado, 7 de outubro às 10:00 - 13:00
    LOCAL: Livraria da Rua - Rua Antônio de Albuquerque, 913 | Belo Horizonte

    Link do Evento: https://goo.gl/tVD5A6 
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